25 de Abril sempre
Posso não me rever no Governo que temos e nas medidas que ele tem tomado, mas é bom saber que os Portugueses têm a possibilidade de escolher quem os governa. Resta esperar que um dia comecem a escolhê-los melhor.
Posso não me rever no Governo que temos e nas medidas que ele tem tomado, mas é bom saber que os Portugueses têm a possibilidade de escolher quem os governa. Resta esperar que um dia comecem a escolhê-los melhor.
Depois do vídeo de resposta à Finlândia e do vídeo de resposta à Moody's, falta agora o vídeo de resposta ao Obama.
Ou talvez um dia alguém faça um vídeo a lembrar que o verdadeiro problema não está no povo português, mas na qualidade dos políticos que teimamos em eleger. Nestes políticos moldados nas juventudes partidárias e que se formam desde cedo na área do cacique e da gestão das redes de contatos.
Ontem, na sequência da cimeira especial dos líderes da zona Euro, foi anunciada a redução da taxa de juro do empréstimo feito pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira a Portugal para valores que rondam os 3,5%. Isto significa uma poupança anual de cerca de 1000 milhões de euros para o orçamento português. Trata-se de uma redução extraordinária que o Governo não poderia ter antecipado.
O que se esperaria que o Governo fizesse na sequência deste bónus inesperado? Talvez que cumprisse a promessa de não mexer no subsídio de Natal e anulasse a contribuição especial em sede de IRS?
Tenho lido críticas a algumas das escolhas dos ministros do novo Governo de Portugal. O principal argumento é a falta de experiência dos escolhidos nos setores que agora tutelam.
É óbvio que é uma vantagem o ministro ter um conhecimento detalhado do setor, mas trata-se de um cargo político. O mais importante é que os escolhidos tenham o que se exige a um bom político: colocar o interesse público à frente de quaisquer outros, capacidade de delegar responsabilidades, escolha inteligente dos seus colaboradores, disponibilidade para ouvir diferentes opiniões e capacidade de decisão. Se os escolhidos tiverem estas qualidades, por certo que farão melhor trabalho do que um ótimo técnico que não tenha as necessárias qualidades políticas.
Logo, quando forem conhecidos os resultados eleitorais, vão iniciar-se mais duas importantes campanhas eleitorais. Do lado do PS haverá uns quantos que começarão a campanha para substituírem José Sócrates na liderança do partido. Por outro lado, entre os dirigentes e figuras históricas do PSD e CDS, inicia-se a luta por lugares no Governo, topo da Administração Pública e Conselhos de Administração das empresas públicas.
Falta exatamente uma semana para as eleições legislativas. Mais uma vez não vou votar e descobri que nem estou recenseado. Pensava que continuava recenseado em Pombal, mas o facto de eu ter comunicado que residia no estrangeiro levou a que o meu nome fosse retirado dos cadernos eleitorais. Resta agora recensear-me aqui em Bruxelas para poder votar nas próximas eleições.
Apesar de não poder votar e de não ter televisão em casa (em breve devo escrever algo sobre isto), tenho acompanhado com algum interesse a campanha eleitoral, como aliás faço com todos os temas importantes para o nosso país. Confesso que chego a esta altura sem saber como é possível que as sondagens indiquem que 70% dos votos irão para o PS ou o PSD. Se há eleição em que faz sentido votar noutros partidos esta é sem dúvida uma delas. Não só o PS e o PSD são os principais responsáveis pela situação em que o país se encontra, como os seus líderes nos dão bons motivos para não votar neles. Em relação ao PS acho que não é preciso dizer muito, os últimos dois anos deveriam ser motivo mais do que suficiente para que ninguém votasse no PS enquanto José Sócrates se mantivesse como candidato a Primeiro-Ministro. Se do lado do PS temos um mal conhecido, do lado do PSD temos uma incógnita que com as suas contradições mostra que a única razão para votar nele é mesmo evitar uma nova vitória do Engº Sócrates.
Só num país em que os partidos são olhados como clubes de futebol é que é possível que depois de todas estas trapalhadas ainda seja possível que 70% dos votos vão para estes dois partidos. Na verdade, com a diluição das diferenças ideológicas entre estes dois partidos, o que os separa é que alguns optaram por ser do PS e outros do PSD, opção que para muitos foi feita da mesma forma que escolheram o clube de futebol que apoiam. É particularmente engraçado ler artigos de militantes do PSD a explicarem que são sociais-democratas ou os do PS a explicarem que são socialistas. Tenho uma novidade para vocês: caso ainda não tenham reparado, nem o PS é um partido socialista, nem o PSD é um partido social-democrata. Talvez o tivessem sido na altura da sua criação, mas progressivamente foram-se deslocando para a direita e era altura de alguém questionar se não é um caso de publicidade falsa o facto destes partidos terem mantido os seus nomes.
E as alternativas? Esta campanha confirmou que entre os maiores partidos portugueses há dois políticos que, independentemente das suas ideias, estão num nível muito acima dos outros. Falo naturalmente de Francisco Louçã e de Paulo Portas. Do primeiro há quem não goste de uma certa "arrogância", algo de que são normalmente acusados os que costumam ter razão mais vezes do que os outros. Como já escrevi outras vezes, era ele que eu gostava de ver como Primeiro-Ministro de Portugal e estou de acordo com as principais propostas do BE, em especial uma que sempre defendi: que os orçamentos deveriam ser de base zero, ignorando os erros cometidos no passado. Em relação ao CDS e Paulo Portas, para além de diferenças ideológicas, acho que apesar de todo o seu brilhantismo intelectual, há factos que me fazem duvidar da sua seriedade. Desde o Caso Moderna, passando pelo afastamento da Maria José Morgado quando o CDS esteve no Governo, e culminando na compra dos submarinos e os milhares de fotocópias de documentos secretos, há muita coisa que me parece que não bate certo.
E os pequenos partidos? Para além dos números de circo protagonizados pelo PND e PTP não houve nada que chamasse a minha atenção. Devo dizer que não tenho nada contra palhaçadas, mas acho que têm lugares próprios, e não deveria ser numa campanha eleitoral. Mas nunca se sabe, afinal o José Manuel Coelho teve 4,5% nas eleições presidenciais, mostrando que há muitos portugueses dispostos a dar votos a palhaçadas. Mantenho uma admiração por Garcia Pereira, em quem votei nas Presidenciais de 2001, e claro que gostaria de o ver como deputado, mas parece-me que ainda não será desta que isso vai acontecer.
Há 14 anos atrás, o PCP fazia campanha pelo referendo sobre a adesão de Portugal ao Euro.
Vejam o folheto e digam lá se o partido, que muitos acusam de estar afastado da realidade, não tinha razão em todos os pontos.
Para se ser político em Portugal há uma qualidade essencial: ser capaz de fazer o contrário do que se tinha dito antes.
"Partido político? Nem pensar. Nunca!" Provavelmente cortaram a parte em que ele dizia "A menos que o PSD me decida convidar para ser Presidente da Assembleia da República."
O que me incomoda neste caso nem é tanto o facto de ele fazer o contrário do que afirmava há um mês. Pior que isso, é o partido que lidera as sondagens, e que irá certamente ganhar as eleições, achar que o melhor Presidente da Assembleia da República é alguém que nunca foi deputado e que durante a campanha para as Presidenciais, sempre que falava sobre qualquer tema, fazia com que o Manuel Alegre e o Cavaco Silva parecessem bem preparados.