Posterous theme by Cory Watilo

Filed under: Portugal

Greve geral

Não tenho nada contra a greve geral que se realiza hoje em Portugal, mas tenho a sensação que a partir de amanhã tudo voltará ao mesmo: Os políticos continuarão a quebrar as promessas eleitorais e os portugueses vão continuar resignados e a votar sempre nos mesmos.
Falta uma mobilização em Portugal que dure mais do que 24 horas...

Os impostos dos ricos

Pelo que leio nos jornais portugueses, o Governo pondera aplicar um imposto extraordinário sobre as grandes fortunas ou sobre os rendimentos mais elevados. Devo dizer que sou totalmente contra esta medida. Na minha opinião, o sistema progressivo que temos já garante um maior esforço por parte daqueles que têm maiores rendimentos.

O que era necessário fazer, mas isso é muito mais difícil do que criar um novo imposto, era convencer os ricos e poderosos a pagarem os impostos sobre a totalidade dos seus rendimentos. Porque o que temos atualmente é um sistema que é progressivo em teoria, mas na prática, muitos dos mais poderosos pagam uma taxa de imposto sobre os seus rendimentos inferior à que paga um casal de classe média.

O vídeo que falta

Depois do vídeo de resposta à Finlândia e do vídeo de resposta à Moody's, falta agora o vídeo de resposta ao Obama.

Ou talvez um dia alguém faça um vídeo a lembrar que o verdadeiro problema não está no povo português, mas na qualidade dos políticos que teimamos em eleger. Nestes políticos moldados nas juventudes partidárias e que se formam desde cedo na área do cacique e da gestão das redes de contatos.

Ainda sobre a Moody's

Já aqui escrevi sobre os exageros dos que se opunham à revisão feita pela Moody's ao rating da dívida soberana da República Portuguesa. Um dos argumentos dos que achavam esta revisão exagerada era o facto de acharem que os maiores países da União Europeia nunca permitiriam uma situação de incumprimento a um membro da zona Euro. Pois bem, para os mais distraídos lembro que ontem a Grécia assumiu o incumprimento parcial da sua dívida. Isto demonstra que o risco de incumprimento não era apenas teórico, mas bem real, naturalmente superior no caso da Grécia. Aliás, continuo a achar que, como em muitos outros casos, a Moody´s apenas pecou por ter agido demasiado tarde: será que quando um país assume que não tem possibilidade de fazer face aos seus compromissos e pede ajuda externa, isso não deveria ser suficiente para os especialistas da Moody's perceberem que o risco desse país não pagar a sua dívida é mais elevado?

Como referi no post anterior, os líderes da zona Euro aprovaram ontem uma redução das taxas de juro nos empréstimos feitos à Grécia, Irlanda e Portugal, bem como uma extensão do prazo de pagamento. Mais uma vez, isto é a prova (como se elas fossem precisas) de que as condições anteriormente acordadas não eram viáveis.

Analistas de risco de bancada

Entre os comentários na comunicação social e nas redes sociais percebo que quase todos os portugueses são hoje analistas de risco e sabem perfeitamente qual o risco que as agências de rating deviam atribuír a Portugal.

Tem-se falado muito da criação de uma agência de rating europeia. Eu acho que se devia era criar uma agência de rating portuguesa, é uma pena este capital humano estar desaproveitado.

Uma boa escolha

Não há muitos políticos no PSD que eu admire. Felizmente que uma dessas exceções é agora a Presidente da Assembleia da República e segunda figura do Estado. Fico contente por ela e com um pouco mais de confiança nos nossos deputados que souberam recusar um candidato que não tinha o perfil para o cargo.
É impressionante ver como a ambição desmedida pode pôr em causa todo o prestígio conquistado em anos de trabalho meritório.
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