Posterous theme by Cory Watilo

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Intolerância

Confesso que cada vez mais me incomoda a intolerância. Estou farto de receber mensagens com comentários racistas, homofóbicos, sexistas. Não sei como em pleno século XXI tantos ainda não perceberam que vivemos num mundo feito de diferença, que temos de respeitar as diferenças dos outros e esperar que os outros respeitem as nossas. Pior, como tantos fazem questão em propagar as suas ideias ultrapassadas e esperar que os outros os admirem por isso. 

Dito isto, declaro a minha própria intolerância. Tenho tolerância zero para comentários desta natureza.

 

 

Greve geral

Não tenho nada contra a greve geral que se realiza hoje em Portugal, mas tenho a sensação que a partir de amanhã tudo voltará ao mesmo: Os políticos continuarão a quebrar as promessas eleitorais e os portugueses vão continuar resignados e a votar sempre nos mesmos.
Falta uma mobilização em Portugal que dure mais do que 24 horas...

Chantagem paroquial

A Confederação Episcopal Portuguesa informou que a Igreja está disposta a que se extingam dois feriados religiosos, se simultaneamente se extinguirem dois feriados civis.
Para mim a solução era bem mais simples, e passava pela eliminação de todos os feriados religiosos com exceção do Natal e Sexta-Feira santa. E nem digo isto por ser ateu, é minha convicção que mais de 90% dos que em Portugal se assumem como católicos ligam tanto como eu a dias como o de Corpo de Deus, da Senhora da Assunção ou da Imaculada Conceição.

Os impostos dos ricos

Pelo que leio nos jornais portugueses, o Governo pondera aplicar um imposto extraordinário sobre as grandes fortunas ou sobre os rendimentos mais elevados. Devo dizer que sou totalmente contra esta medida. Na minha opinião, o sistema progressivo que temos já garante um maior esforço por parte daqueles que têm maiores rendimentos.

O que era necessário fazer, mas isso é muito mais difícil do que criar um novo imposto, era convencer os ricos e poderosos a pagarem os impostos sobre a totalidade dos seus rendimentos. Porque o que temos atualmente é um sistema que é progressivo em teoria, mas na prática, muitos dos mais poderosos pagam uma taxa de imposto sobre os seus rendimentos inferior à que paga um casal de classe média.

Um peso e duas medidas

Interessante ver como a comunicação social repudia (e bem) o que tem acontecido em Inglaterra, enquanto que os que pilharam e mataram nos países islâmicos tinham sido apelidados de lutadores pela liberdade. Parece que roubar deixa de ser errado quando se vive num país com défice democrático.

Analistas de risco de bancada

Entre os comentários na comunicação social e nas redes sociais percebo que quase todos os portugueses são hoje analistas de risco e sabem perfeitamente qual o risco que as agências de rating deviam atribuír a Portugal.

Tem-se falado muito da criação de uma agência de rating europeia. Eu acho que se devia era criar uma agência de rating portuguesa, é uma pena este capital humano estar desaproveitado.

Política (dar o benefício da dúvida)

Tenho lido críticas a algumas das escolhas dos ministros do novo Governo de Portugal. O principal argumento é a falta de experiência dos escolhidos nos setores que agora tutelam.

É óbvio que é uma vantagem o ministro ter um conhecimento detalhado do setor, mas trata-se de um cargo político. O mais importante é que os escolhidos tenham o que se exige a um bom político: colocar o interesse público à frente de quaisquer outros, capacidade de delegar responsabilidades, escolha inteligente dos seus colaboradores, disponibilidade para ouvir diferentes opiniões e capacidade de decisão. Se os escolhidos tiverem estas qualidades, por certo que farão melhor trabalho do que um ótimo técnico que não tenha as necessárias qualidades políticas.

A uma semana das eleições

Falta exatamente uma semana para as eleições legislativas. Mais uma vez não vou votar e descobri que nem estou recenseado. Pensava que continuava recenseado em Pombal, mas o facto de eu ter comunicado que residia no estrangeiro levou a que o meu nome fosse retirado dos cadernos eleitorais. Resta agora recensear-me aqui em Bruxelas para poder votar nas próximas eleições.

Apesar de não poder votar e de não ter televisão em casa (em breve devo escrever algo sobre isto), tenho acompanhado com algum interesse a campanha eleitoral, como aliás faço com todos os temas importantes para o nosso país. Confesso que chego a esta altura sem saber como é possível que as sondagens indiquem que 70% dos votos irão para o PS ou o PSD. Se há eleição em que faz sentido votar noutros partidos esta é sem dúvida uma delas. Não só o PS e o PSD são os principais responsáveis pela situação em que o país se encontra, como os seus líderes nos dão bons motivos para não votar neles. Em relação ao PS acho que não é preciso dizer muito, os últimos dois anos deveriam ser motivo mais do que suficiente para que ninguém votasse no PS enquanto José Sócrates se mantivesse como candidato a Primeiro-Ministro. Se do lado do PS temos um mal conhecido, do lado do PSD temos uma incógnita que com as suas contradições mostra que a única razão para votar nele é mesmo evitar uma nova vitória do Engº Sócrates.

Só num país em que os partidos são olhados como clubes de futebol é que é possível que depois de todas estas trapalhadas ainda seja possível que 70% dos votos vão para estes dois partidos. Na verdade, com a diluição das diferenças ideológicas entre estes dois partidos, o que os separa é que alguns optaram por ser do PS e outros do PSD, opção que para muitos foi feita da mesma forma que escolheram o clube de futebol que apoiam. É particularmente engraçado ler artigos de militantes do PSD a explicarem que são sociais-democratas ou os do PS a explicarem que são socialistas. Tenho uma novidade para vocês: caso ainda não tenham reparado, nem o PS é um partido socialista, nem o PSD é um partido social-democrata. Talvez o tivessem sido na altura da sua criação, mas progressivamente foram-se deslocando para a direita e era altura de alguém questionar se não é um caso de publicidade falsa o facto destes partidos terem mantido os seus nomes.

E as alternativas? Esta campanha confirmou que entre os maiores partidos portugueses há dois políticos que, independentemente das suas ideias, estão num nível muito acima dos outros. Falo naturalmente de Francisco Louçã e de Paulo Portas. Do primeiro há quem não goste de uma certa "arrogância", algo de que são normalmente acusados os que costumam ter razão mais vezes do que os outros. Como já escrevi outras vezes, era ele que eu gostava de ver como Primeiro-Ministro de Portugal e estou de acordo com as principais propostas do BE, em especial uma que sempre defendi: que os orçamentos deveriam ser de base zero, ignorando os erros cometidos no passado. Em relação ao CDS e Paulo Portas, para além de diferenças ideológicas, acho que apesar de todo o seu brilhantismo intelectual, há factos que me fazem duvidar da sua seriedade. Desde o Caso Moderna, passando pelo afastamento da Maria José Morgado quando o CDS esteve no Governo, e culminando na compra dos submarinos e os milhares de fotocópias de documentos secretos, há muita coisa que me parece que não bate certo.

E os pequenos partidos? Para além dos números de circo protagonizados pelo PND e PTP não houve nada que chamasse a minha atenção. Devo dizer que não tenho nada contra palhaçadas, mas acho que têm lugares próprios, e não deveria ser numa campanha eleitoral. Mas nunca se sabe, afinal o José Manuel Coelho teve 4,5% nas eleições presidenciais, mostrando que há muitos portugueses dispostos a dar votos a palhaçadas. Mantenho uma admiração por Garcia Pereira, em quem votei nas Presidenciais de 2001, e claro que gostaria de o  ver como deputado, mas parece-me que ainda não será desta que isso vai acontecer.

 

 

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